XVIII – Narrativa Poética – ALDA LARA

Descendente de colonos que tinham chegado ao vasto território de Angola para lhe levarem o progresso, uma menina sentia como sua aquela terra onde nascera e onde crescera a amar uma natureza bela e exuberante. Desde cedo uma ama negra lhe contara histórias fantásticas, com lendas africanas, que a tinham feito sentir-se uma filha da terra. Aquela era a sua pátria, uma pátria de acácias rubras, de coqueiros, de palmeiras, de cajueiros, de dólios, de dongos, de batucadas, de noites intermináveis e langorosas. Já crescida, foi estudar para a metrópole, de onde tinham saído os seus antepassados, e sentiu-se uma exilada. Poeta e escritora, pedagoga, envolveu-se em ações de assistência social, licenciou-se em medicina, divulgou a literatura que se fazia em África, casou com um médico também ele originário de uma colónia, teve quatro filhos. O seu sonho era o regresso à pátria da infância – a única que verdadeiramente nunca morre no coração dos homens e das mulheres – e pouco depois de a ela retornar, chamou-a a Mãe-Negra para o céu, aí onde a paz existe realmente e os homens de todas as cores, brancos, negros e mestiços, não conhecem distinções entre si.
Ed 1ª
05/19
Cp Dura
82 pgs
ISBN: 978-989-20-9519-6

9,00

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