XXIX – Narrativa Poética – CAROLINA MARIA DE JESUS

Uma mulher negra vivia numa favela de uma grande cidade e catava papel para poder dar de comer aos seus filhos, que muitas vezes passavam fome. Desde cedo gostava de ler e de escrever, apesar de ter tido apenas dois anos de escolaridade. Escrevia como respirava, era muito curiosa sobre o mundo que a envolvia, e começou a escrever um diário sobre a vida na favela e sobre o que lhe ia na alma. Na verdade, ela desabafava para o papel, que era o seu confidente. Um dia ela foi “descoberta” por um jornalista, que ficou muito bem impressionado com os seus textos diarísticos e que, a partir deles, fez nascer um livro, “Quarto de Despejo”, que foi um enorme sucesso comercial. A favelada mudou-se para o que ela mesma mesma chamou “sala de visitas”, que era a parte rica da cidade, passou por um período de fama e de glória, conseguiu que os seus filhos finalmente saíssem da pobreza, estudassem, e passassem a viver com a dignidade devida aos seres humanos. Autêntica, genuína, algo ingénua, mãe exemplar, vivendo acima dos ditames da sociedade materialista e controladora, publicou mais um diário, um romance, uma antologia de poemas, um livro de “provérbios”, mas acabou esquecida num sítio pobre que comprou, junto da natureza. Era na companhia desta que se sentia bem, porque tanto o mundo dos pobres como o dos ricos a tinham dececionado, e se harmonia podia existir era no brilho das estrelas à noite, ou no galo que cantava logo de madrugada.
Ed 1ª
08/21
Cp Dura
144 pgs
ISBN: 978-989-53284-1-3

9,00

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