XXV – Narrativa Poética – FERNÃO MENDES PINTO

Um homem de cerca de sessenta anos, regressado de vinte e um anos de aventuras no oriente, numa época em que na Europa quase nada se conhecia dessa parte do mundo, decidiu escrever um livro com as suas memórias biográficas e dedicá-lo aos seus filhos. Deu-lhe o titulo de Peregrinação e ao longo de duzentos e vinte e seis capítulos narrou episódios tão extraordinários que muitos, descrentes do que contava, lhe chamavam “Fernão, mentes? Minto!”. O facto é que ele referia ter sido treze vezes cativo e dezassete vendido, além de ter sobrevivido a vários naufrágios e a várias situações em que a sua vida estivera praticamente dada como perdida. Não podia haver homem que, em busca de enriquecimento fácil, tivesse passado por tantas experiências, em territórios vastíssimos da Ásia, servindo corsários, fazendo veniaga, exercendo atividades diplomáticas, sendo recebido por reis e governadores, ou, mais tarde, após ter acumulado alguma riqueza, desempenhando missões religiosas como irmão leigo da Companhia de Jesus. No livro, que era uma espécie de romance em que se misturavam a realidade e a fantasia, fruto da sua imaginação prodigiosa, ele não deixava de fazer considerações sobre tudo o que vira no oriente, incluindo culturas e sociedades, algumas muito mais sofisticadas do que a do seu pequeno reino, que se expandia pelos mares em busca de riqueza e de domínio. Quando chegou ao fim do seu livro, em que fez uma verdadeira peregrinação interior, aquele aventureiro já envelhecido sentiu que podia finalmente partir para um outro oriente – aquele em que eternamente a sua alma poderia repousar, após os sobressaltos e as inúmeras aventuras que conhecera neste mundo.
Ed 1ª
02/21
Cp Dura
161 pgs
ISBN: 978-989-54908-8-2

9,00

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