XXXI – Narrativa Poética – TEIXEIRA DE PASCOAES

Um poeta tinha nascido junto a uma serra que moldara a sua alma. Para ele, aquela serra e a paisagem maravilhosa que envolvia a casa da sua família, onde passou a maior parte da vida, estariam sempre associadas aos tempos felizes da sua infância. Com o seu espírito poético identificara-se plenamente com aquela natureza, do norte do seu país, ao ponto de ela se tornar um Mito, e cantou-a em poemas cheios de lirismo, num dos quais chegou a personificar a serra amada, seu alter-ego, atribuindo-lhe sentimentos, como a saudade – o sentimento – ideia que, segundo ele, melhor refletia a originalidade do seu povo universalista e aberto ao mundo. Estudou direito, durante dez anos exerceu a advocacia, mas o seu mundo era o da poesia, e o poeta venceu ao advogado. Foi diretor de uma revista, escreveu livros a defender a necessidade de partir em busca das origens da cultura nacional, evitando-se a descaraterização da mesma por influências estrangeiras, e numa fase mais avançada da sua vida publicou biografias de figuras que muito admirava, entre as quais havia santos, um escritor e um imperador. Místico, heterodoxo, irrequieto, com a argúcia de um visionário, dizendo com uma sinceridade às vezes irónica e contundente o que lhe ia na alma, era um “filho da sombra”, um fantasma, um espetro, para quem a saudade era transformadora, redentora, a forma mais sublime de o Homem, dando voz à natureza, poder chegar à Perfeição e à Eternidade, numa busca perpétua e nunca verdadeiramente satisfeita.
Ed 1ª
07/22
Cp Dura
201 pgs
ISBN: 978-989-53656-3-0

9,00

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